FAZ BEM: SORRIR, CHORAR, PULAR, GRITAR, EMUDECER, ESPERAR…

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Coisas que me fazem bem, também são elas coisas que me fazem chorar.

Uma hora perco a cabeça e esbravejo, outrora respiro fundo, me afogo em ódio e choro; choro doloroso.

Coisas que me fazem bem, também são as mesmas que me ajudam a melhorar.

Em um inverno sou temperatura alta, já no verão faço do meu abraço temperatura baixa.

Há vezes, de tempos em tempos que me torno brisa passageira, vagando sem eira nem beira, entretanto, nesse ponto, recordo-me de que sou intensidade genuína, ser só uma brisa? Não!  Não eu!
Quero estar presente, ficar, e poucas vezes ser ausente. Na falta de afeto, me tornar teto para quem amo, e assim, ajudar corações a mudarem e visões turvas a enchergarem quão belo é o amor. Melhor é viver e amar!

Sou fogo capaz de queimar, porém, também sou gelo…Todavia, não se engane: o gelo também pode queimar!

Pessimista as vezes, em outras otimista demais. Manter o equilíbrio é missão complexa, capaz de arrepiar cada centímetro de meu corpo rosado só de imaginar.

Sou de dupla personalidade, nascida em Julho de 1997, cujo signo engana a muitos. Câncer não é o signo da melancolia, e sim o da força, o do jogo de cintura. Engana-se quem tem alguém do signo de câncer como frágil e sentimental. – Na verdade não sou muito de acreditar no que dizem as posições das estrelas, mas confesso paixão pela ideia de tentar ler as outras pessoas e advinhar sobre seus possíveis futuros… 

Há coisas que me fazem bem, e outras que me remetem ao passado e tiram por completo minha paz.

Complicada? Talvez…

Sensível?  Nem tanto…

Não me assusto com as mudanças repentinas. Sou adepta ao movimento da alma, acredito na sintonia e no ritmo que nós mesmo criamos, afim de viver nosso próprio tempo, sob propósitos bem pensandos e idealizados.

Pois bem, a vida segue assim, jamais vou saber descrever tudo de mim. A certeza é de que existem coisas que me fazem rir, outras que apesar de simples, me fazem chorar, a verdade é que de mim não sei falar. 

Sou menina, mulher, sei correr com a ajuda de dois pés… 

Sentimentos fazem de mim fortaleza, a tristeza me inibe para depois moldar, o choro vem para me banhar e levar consigo o tempo ruim, a felicidade chega de mansinho, assim, como quem não quer nada e me ganha, seja por alguns segundos, minutos, horas ou dias, mas vem como bálsamo. 

Pular?! não importa o lugar, se minha vontade no momento é essa, então sem pestanejar, irei pular!

A vida só faz bem quando tomamos nosso reflexo interior como meta e manual de sobrevivência.

Calar quando necessário, falar com cautela e ouvir sempre, independente da situação.

Sou coisa que me faz bem; sou a pessoa que me faz chorar; sou dona dos meus sentimentos e dona do meu pensar, portanto, sou a coisa que me faz crescer e que manda e desmanda no meu ser, sou então a coisa que eu merecer.

ÚLTIMO SUSPIRO

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A vida é um sopro. Pode parecer clichê demais falar dessa forma, no entanto, parar para pensar sobre, é interessante.

Algumas pessoas costumam levar a vida sem refletir ou questionar quase nada. Vivem meio que por obrigação, sem vontade, sem foco. Cabe dizer que a realidade das pessoas que deixam as coisas boas da vida passarem totalmente despercebidas é bem tendenciosa, entretanto real. Talvez, tenham passado por muitas frustrações em suas diversas e exaustivas tentativas para alcançar a tão sonhada felicidade, esta, que na mente de muitas pessoas é algo complexo demais, quase que impossível de se obter (aliás, a felicidade está em tudo, basta querer ser feliz, espalhar felicidade e abrir os olhos para ver o que está escondido nos pequenos detalhes). Todo um contexto de fracassos, vai moldando as pessoas e aos poucos as transformam, trazendo a elas uma visão distorcida da realidade e também uma tempestade de desesperança. Isso faz as pessoas a acreditarem que não são capazes e que viver de qualquer forma é um tanto faz. Não é assim! Observe as coisas lindas a sua volta, aproveite ao máximo as flores, os pássaros, as crianças, o som chato do vizinho, o amanhecer de cada novo dia, o barulho da chuva no telhado (mesmo as gotas perdidas que ficam caindo quando a chuva já se foi). Vá acampar, visite um Museu assim que conseguir algum tempo, passe alguns dias das suas férias na praia. Cuide de si! Doe-se, presentei sua mãe, seu pai, sua avó, um amigo, mesmo que seja com um abraço ou um gesto simbólico.

Viva, afinal, o tempo é curto e não dá pra “vacilar”.

Aproveite sua família, transforme as pequenas ocasiões em grandes eventos e trate grandes eventos com simplicidade. Sorria sem medo; sem receio, plante uma árvore, leia bons livros, pare para admirar a natureza, observe a arquitetura ao seu redor, mas faça tudo isso com amor, com calma, total tranquilidade e muita sensatez. Apenas faça o que seu coração deseja, sem restrições. Não siga o tempo das outras pessoas, seja o dono do seu próprio ritmo; dono do seu tempo. Espalhe bons frutos.
Não viva para provar nada a ninguém, menos ainda, tente viver em busca de reconhecimento. Deixe a vida fluir…

Abrace aqueles que estão a sua volta, mas se entregue, sinta verdadeiramente o momento. Converse, exponha suas ideias e aceite as opinões que não são como as suas, acatando cada pensamento diferente como uma possiblidade de mudança (seja flexível).

Lembre-se que ninguém vive para sempre. Nem nós, nem aqueles que amamos, portanto, dê valor a vida, ao tempo, a cada gesto de carinho, por mais minucioso que seja. Entenda os sinais, saiba ser querido e bem queira até mesmo quem tentar lhe caluniar.

Respeite, ame, doe-se, preserve a paz…busque por ela. A vida é como um sopro, ninguém sabe quando a morte resolverá bater à porta. Por isso, viva realize seus sonhos, brinque independente de qual seja a sua idade, seja autêntico, espontâneo, não mude por ninguém (mude para melhor ou para ser alguém que o agrade mais, faça por você ).

Enfim, seja do bem e, quando o seu dia chegar, seus olhos começarem a fechar e por fim sua respiração findar, uma coisa será certa : Você terá vivido da melhor forma e terá dado o melhor de si,então, você venceu!

O OLHAR DE ADEUS

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Parte III final

Segunda-feira, 13 de abril do ano 2000, aconteceu o que ninguém esperava.

Mari estava pronta para voltar para sua casa. Arrumou as suas coisas, quieta e sem falar uma palavra. Aguardou por horas a chegada da tia Maria, afinal, a chuva castigava a cidade de São Paulo naquele dia e o trânsito havia se tornado um caos. A recomendação anunciada era para que ninguém saísse de casa, pois as ruas estavam perigosas, devido ao temporal. Enfim, por volta das 10 h 40 o porteiro do meu prédio avisou sobre a chegada da tia Maria. Autorizamos a sua entrada. Depois de passados 4 minutos, ela já estava à porta. Minha mãe a atendeu, convidou-a para sentar um pouco, a fim de colocar o papo em dia. Começaram a falar sobre o atual estado da minha prima. Mari estava passando pela sala, em direção ao banheiro, quando resolveu parar para ouvir o que as duas conversavam, afinal, pôde ouvir seu nome ser citado. O assunto se transformou, até o ponto em que uma possível internação estava totalmente em cogitação. Mari voltou para o meu quarto correndo e chorando. Questionei, mas ela nem sequer olhou para mim. Passado 5 minutos mais ou menos, Mari me chamou para conversar, ali ela já estava calma, esbanjava tranquilidade. -Estranhei, mas fiquei tranquila e atenta-. Mari começou a falar em ordem cronológica todas as coisas que já havíamos feito juntas na vida, como por exemplo, o dia em que acabamos com a ceia de Natal da família, falou sobre como brincávamos e nos divertíamos na lama . Naquele instante percebi em seu rosto um sorriso que a muito tempo não aparecia. -Achei que as coisas finalmente começariam a melhorar-.

Mari decidiu se abrir um pouco mais, afirmou confiar muito em mim, e que de todas as pessoas eu seria a única a me esforçar para tentar entender o que estava acontecendo. Ela comentou sobre as vozes que ouvia, as pessoas que avistava andando durante a madrugada e citou também sobre um ser que fazia companhia para ela o tempo todo e a induzia a fazer coisas ruins. Chorei enquanto via o sofrimento em seus olhos, mas encontrei forças para dizer a ela que nada dessas coisas conseguiam tirar o brilho da pessoa maravilhosa que ela era, dei minha palavra  como certeza de que o sofrimento iria se esvair e em breve tudo estaria melhor.

Bom, por fim, a chuva cessou , tia Maria gritou para que Mari se despedisse, pois elas já iriam para casa. Mari despediu-se de mim como nunca havia feito antes. Me deu um abraço demorado, envolvido por um excesso de gratidão e amor. Embora fosse muito incomum aquela ação, apenas retribuí o gesto. Antes que ela se retirasse, entreguei a ela um colar, feito por mim, quando eu tinha apenas 8 anos, era o meu “amuleto” da sorte. Tinha o formato de uma concha, era rosa e envolvido por um barbante preto, nada muito bem elaborado, no entanto, Mari sabia que ele era importante para mim. -Ela ficou feliz com o presente-, então pela última vez ela sorriu para mim, e um novo abraço surgiu.

Mari foi para casa, e duas horas depois, a notícia que abalou a nossa família. Meu tio Ricardo, pai de Mari ligou aos prantos, minha mãe foi quem atendeu a ligação. Quando vi seu rosto empalidecer, esperei pelo pior, porém, torcendo muito para estar completamente equivocada. Todavia, logo veio a confirmação de que uma tragédia estava prestes a ser anunciada. Tive esta certeza quando minha mãe soltou o telefone no chão e ficou paralisada por alguns minutos, o que antecedeu o choro doído que deu sequência a esta série de torturas psicológicas para mim.

Mari saiu de sua casa dizendo que iria até a padaria do seu Bento para comprar seus doces favoritos. Porém, ela não voltou. Tia Maria recebeu a visita de uma moça ruiva inquieta e ofegante, ela veio anunciar a tragédia. Falou ter visto  Mari se atirando a frente de um caminhão de verduras na avenida que ficara próxima de sua casa. Disse que a garota estava atordoada e não parecia ter controle sobre o que estava fazendo. A moça afirmou que o motorista tentou parar, mas não deu tempo, tudo aconteceu rápido demais. Ligaram para uma ambulância, o socorro chegou rápido, porém, Mari não resistiu e morreu no local.

Quem presenciou o ocorrido, fala que apesar da gravidade do fato, a fisionomia de Mari estava ensolarada, e que dava até mesmo para notar um sorriso tímido em sua face. Encontraram juntamente a seu corpo, mais precisamente em sua mão direita, o colar que eu havia entregado a ela na manhã daquele mesmo dia. Era como se ela estivesse apertando-o bem forte no exato momento do acidente que custou sua vida.

Meu amuleto tornou-se o amuleto de alguém. Fiquei extremamente triste com a morte da minha prima, ela era como uma irmã para mim. Todavia, fico imaginado como estava sendo difícil para ela manter-se  de pé e ter que fingir um novo sorriso todas as manhãs. Definitivamente não consigo palpitar sobre o assunto.

Seria extraordinário se tudo tivesse um final feliz como em um conto de fadas, mas a vida real exigi mais sagacidade e cada um descobre suas maneiras de lhe dá com suas lutas internas, o que não significa que alguém foi fraco por resolver desistir da luta. Não existe caminho mais fácil ou mais difícil. É sabido que o fardo tem pesos diferentes vistos de pontos que divergem entre si. Não é porque alguém bateu de frente com seus problemas que todas as pessoas terão que seguir essa iniciativa como regra, afinal, os princípios  são dessemelhantes para cada um.

A realidade é que nem todas as lutas devem de fato serem lutadas por nós, elas podem até nos pertencer, porém, muitas das vezes o combate não.

É isso, não tenho mais o que falar. Perdi alguém importante e esses meses sem a presença de Mari, têm sido bem custosos. Tia Maria e o tio Ricardo  estão péssimos. Valentina está sofrendo com crises de ansiedade e paralisia do sono. Minha mãe vive preocupada com a irmã, e eu…bom, passo horas digitando bobagens para internet, textos que muito possivelmente não serão lidos por muita gente, mas que servirão para alguém, em algum lugar.

Contudo, logo a vida toma um novo e surpreendente rumo…

O OLHAR DE ADEUS

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Parte II 

Quando éramos bem mais novas, Mari sempre me dizia que seu maior sonho era crescer e poder ajudar as pessoas a enfrentarem seus medos, a encararem suas vidas de frente, mantendo o rosto erguido e a fé em dia, independente da situação. Não era exatamente com essas palavras, nem com tanta clareza, porém sei que era isso que ela tentava dizer.-Ela era uma menina excepcional.

Algumas vezes, enquanto brincávamos, Mari mudava sua fisionomia, perdia o ânimo e ficava extremamente irritada. Nunca entendi aquele comportamento, por outro lado, preferia não me envolver, nem tinha porquê, afinal, sinceramente, não identificava nada demais. Mari não queria brincar, simples assim.

Talvez, agora tudo faça mais sentido para mim, não é tentando adivinhar o que se passava pela cabeça da minha prima, mas hoje consigo entender o que ela sentia e o quanto ela estava sofrendo.

Sempre fui muito apegada a Mari, sempre fizemos tudo juntas, nossa diferença de idade é pouquíssima, sou apenas 2 anos mais velha. Então, nunca houveram tantos segredos entre nós. Fomos cúmplices desde o primeiro dia que nos vimos.

Houve um dia que ela me pediu para guardar um segredo, não sei se deveria quebrar a promessa, entretanto, não é a mesma coisa que trair a confiança de alguém. Quero que todos entendam que Mari não foi fraca quando decidiu fazer o que fez. Quando acabou com tudo, o fez porque ninguém apresentou saídas a ela -Na verdade não sei se haveriam saídas-. Bom, Mari me contou que ouvia algumas pessoas chamando por ela, era sempre com a mesma frequência, com o mesmo volume e uma intensidade muito forte-Esse era o motivo que a fez passar dias e dias chorando por sentir fortes dores de cabeça-. Não entendi quando ela me contou, pensei que fosse uma brincadeira a fim de me amedrontar -fiquei com medo, mas esqueci com o passar do tempo-. Voltei a recordar sobre essa ocasião, na qual Mari confiou a mim suas angústias, apenas na última vez que vi Mari falando sozinha. Raciocinei só após ter desligado o telefone, depois de ter ligado assutada para tia Maria. Foi exatamente quando coloquei o telefone sobre a mesa que percebi que as proporções do problema já haviam expandido.

O sofrimento de Mari conseguiu vencer a doçura, o sorriso, o amor e toda a bondade que havia dentro do coração dela. Ela só queria ficar bem, tenho certeza que ela estava se mantendo distante, pois não queria ver ninguém da família sofrendo. Até no último segundo ela pensou em ajudar. Esqueceu de si, por amor à família.

Não vejo motivos para dizerem que tanto Mari quanto outras pessoas que cometem suicídio não param para pensar na dor e em todo o sofrimento que podem causar na família. É egoísta não se colocar no lugar de quem sofre de males psicológicos. Viver era uma missão e tanto para Mari, isso era indiscutível, estava estampado em seu rosto o quão terrível estava sendo se manter de pé. Aquilo tudo passou a ser uma luta em que o único adversário de Mari era ela mesma.

Lembro que em nossa última conversa, mesmo muito mal, ela se esforçou para falar comigo. Ela disse que cada segundo sobrevivendo se tornara uma eternidade. Tentei convencê-lá de que existia uma solução para todos os problemas, porém aparentava está muito segura. Algo me dizia que ela já sabia detalhadamente o que fazer.

Erroneamente, falei que a decisão dela, seria a minha também. Estava realmente disposta a tirar minha prima daquele limbo no qual ela estava vivendo, não sei a quanto tempo, mas contando desde o dia em que ela começou a mudar drasticamente, suponho, que a pobrezinha estava sofrendo a muitíssimo tempo. Acho até mesmo que ela sempre passou por isso, foi forte, e escondeu a dor enquanto conseguiu.

O OLHAR DE ADEUS 

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Parte I

Tudo começou com a falta de questionamentos sobre o novo comportamento adotado por Mariana. Minha prima de segundo grau simplesmente havia mudado muito e nos últimos dias era como se estivesse sendo manipulada, ou uma ideia mais sem sentido sobre o assunto, parecia que ela estava sendo tomada por forças que não eram exatamente dela, mas que estavam ali a partir de então – Bobagem a minha querer mistificar tanto o caso. Notoriamente, de tempos em tempos a mudança peculiar destacava-se em cada ação dela, seria incrível, se não fosse um problema tão grave, afinal, muitos diziam que tal comportamento fora adotado devido a fase pela qual Mari (como era chamada pelos amigos) estava passando e que suas atitudes podiam ser justificadas, sendo assim as mazelas da puberdade exclusivamente culpada pela transformação da garota.
Estou confusa, na verdade, ter que prestar este depoimento, depois de tudo o que aconteceu, me faz recordar com exatidão aquele dia…

Era uma segunda-feira como são todas as outras, pós domingo, aquela moleza comum e exorbitante que toma de conta do corpo e da alma impediu que tivessemos tomado consciência do que estava prestes a acontecer. Cada um estava tentando engajar em seus projetos, trabalho e coisas irrelevantes (nada de anormal). Essa segunda-feira não sei porquê era ainda mais pacata que todas as outras. Chovera sem cessar o dia todo, o que tornou o ambiente naturalmente mais cinza, mais triste, mais pesado…

Devo afirmar que aquele dia trouxe consigo o início de uma tragédia que marcou a história da nossa família. 

Em virtude do feriado prolongando que antecedeu a semana na qual nossas vidas mudara, lembro que Mari e alguns de nossos amigos nos reunimos em minha casa para jogar xadrez como era de costume. Todos participaram, menos Mari. Não endaguei muito, apenas acreditei que pudesse ser TPM ou uma disfunção hormonal qualquer -Essas coisas são bem comuns quando se tem 14 anos-. Já era tarde quando todos foram embora. Falei para Mari ficar e dormir no quarto da minha irmã, afinal, já era tarde e Valentina só voltaria dali duas semanas.

Tudo estava aparentemente bem, conversei um pouco com Mari, entretanto, ela parecia distante. Outra vez, achei melhor não insistir em desenvolver um diálogo que pudesse me levar até a raiz do mal que supostamente estava tirando a paz de Mari, foi isso, não fiz nada, apenas regredi.

No dia seguinte (sábado) liguei para minha tia Maria (mãe da Mari) e implorei para que ela deixasse Mari em minha casa por mais algumas horas ou durante todo final de semana, levei um bom tempo até que finalmente consegui convencê-la. Então Mari ficou o restante do final de semana em minha casa. Apesar de saber que ela não era a mesma, apostei na ideia de que iria ajudá-la a passar por aquela fase a todo custo.

Por fim, as coisas fugiram de controle, minha prima que já estava claramente no fundo do poço, acabara de superar seu estado, atingindo então o fundo do fundo do poço, entende? Observei-a durante horas e em alguns momentos parecia que ela argumentava com alguém que não a entendia bem. Falava com seres invisíveis o tempo todo. As conversas bizarras aconteciam cada vez com mais frequência. Assustada, liguei para minha tia, e perguntei se era normal que Mari falasse sozinha, minha tia Maria respondeu que sim! e disse também que seria algo passageiro, era para eu deixar Mari sozinha, pois só ela conseguia se entender nesses momentos. Fiquei chocada em ver como todos se mostravam indiferentes quanto a situação da garota. 

Ver Mari enfrentado aquele problema que até então era uma incógnita, doía muito. Não ser capaz de mudar as consequências do fato naquele momento, é um fardo que tortura minha alma até hoje. 

Ela estava presa dentro de seu próprio corpo, cheguei a essa conclusão quando percebi que as conversas que ela tinha com sabe lá quem, não eram nada agradáveis para ela. Mesmo não a podendo ouvir, ver as expressões esboçadas por Mari enquanto a vi conversando “sozinha”, me faziam sentir, ouvir e sofrer com ela. 

Continua…

CRIATIVIDADE: A MELHOR INSPIRAÇÃO

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Não adianta esperar a inspiração, nem um empurrão amigo para que as coisas mudem para melhor.Seja o desbravador da sua própria vida!
Quando precisamos escolher por qual caminho seguir, logo surgem inúmeras perguntas para dificultarem essa transição. Afinal, escolher é sempre uma missão dificílima, principalmente quando tal atitude poderá decidir todo um futuro.

Não é sempre que acordamos bem, ou temos disposição para lutar. Somos falhos, nossa alma vive dentro de uma casca muito frágil, entretanto, não devemos em momento algum nos entregar ao comodismo. Não é todos os dias que a criatividade bate à porta,mas uma hora ou outra ela se apresenta, e  é nessa oportunidade que devemos nos agarrar com forças, neste momento está preparado emocionalmente fará toda a diferença, talvez, essa circunstância dentre todas as experiências vivenciadas, seja a primordial. Entender o seu próprio desenvolvimento e conhecer suas limitações é fundamental, é uma regra básica.

Trabalhe o seu melhor lado, ajude, seja voluntário, caridoso, amoroso, torne-se a pessoa com quem você gostaria de conviver, não passe por cima de ninguém, não ignore aqueles que ficaram pelo caminho, não os deixe no caminho! Volte e estenda uma mão e se necessário, empreste um ombro amigo, não olhe as pessoas de cima, faça questão de ser igual, não se desfaça de ninguém, não esfregue seus títulos na cara de ninguém (vivemos em um país que não gera oportunidades igualitárias, então, se você conseguiu conquistar algo, parabéns! Mas use disso para impulsionar essa realidade a um cenário melhor). Percebe? Para que as coisa tornem-se melhores para você, antes terá que passar por um teste, esse que vem não para torturar, mas sim para aperfeiçoar a sua humildade, sua compaixão, o seu amor e o seu caráter.

A sociedade prega lindas palavras, mas não segue aquilo que é dito. Viva de atitudes e não apenas de palavras encantadoras.

Seja criativo, transforme o mundo à sua volta e sinta o seu peito transbordar de um sentimento inexplicável. Valorize suas ações e independente do acaso, viva em função de ajudar o próximo no mínimo e no máximo que você conseguir. Criatividade não existe apenas para gerar um benefício individualista, ela é um meio capaz de mudar o mundo e a maneira de se ver as coisas em geral.

CUSTURE-SE: MANTENHA À BOCA FECHADA!

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Nem tudo aquilo que se planeja precisa ser terceirizado. 

Não é acreditar em superstições, e sim saber que a vida em alguns aspectos funciona melhor quando resolvemos fechar a boca e abri-lá apenas se tudo correr bem. 

Se reservar quanto a projetos pessoais é melhor, afinal, caso o plano fracasse, você será o único a saber, ficará chateado, porém a frustração não o acompanhará por muito tempo. Aliás, dessa forma ninguém terá o direito de fazer julgamentos precipitados, ou até mesmo afirmar com forças que você não é capaz de conquistar o que almeja por ser um simples sonhador (isso acontece muito). É péssimo ter que lidar com esse tipo de situação, mas ela é mais comum do que se possa imaginar.

Quando for comprar uma blusa, feche a boca;

Quando for procurar emprego, feche a boca;

Quando for casar; quando for tirar carteira de motorista; quando noivar; quando encontrar alguém especial; quando for comprar uma casa, carro, moto, celular ou qualquer outra coisa que envolva a sua vida de forma direta procure ser breve em relação a detalhes. Preserve algumas informações, isso é importante.

Compartilhe suas ideias e sonhos com aqueles que realmente pretendem alavancar a sua vida e fazer parte da sua história. Pessoas de fora sabem pouco sobre as batalhas que você já enfrentou até chegar onde está, e elas não vão se limitar a encontrar barreiras para colocar à sua frente, além disso, serão as primeiras a aprensentar um diagnostico cruel se as coisas precisarem mudar de rumo e seu plano, por algum acaso vier a encontrar à falência. Serão também os que pouco lhe conhecem que muito provavelmente irão lhe desmotivar e induzi-lo, mesmo que de forma indireta a desistir dos seus objetivos quando surgir qualquer obstáculo.

Aprenda a convencer a si mesmo de que a vida não é vivida apenas por pessoas boas. Acredite, existe muita gente frustrada tentando se reerguer com base na derrota alheia.